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As cicatrizes que a liderança tóxica me deixou, e o que quero que a nova geração saiba.

Ao longo de mais de 30 anos de carreira, a trabalhar em Luanda, Cabinda, Soyo, Pittsburgh e Houston, convivi com todos os tipos de liderança: inspiradora, competente, humana e também a outra face, a liderança tóxica. Não falo de chefes exigentes, rigorosos ou difíceis. Falo de pessoas que, pela sua postura, criavam ambientes onde o medo era ferramenta, a manipulação era estratégia e a insegurança era cultura.

Durante muito tempo, achei que era normal. Que era assim que o mundo funcionava. Que eu precisava apenas “aguentar”.

Hoje, olhando para trás, percebo que esses líderes foram alguns dos meus maiores professores, não pelo que ensinaram, mas pelo que me obrigaram a aprender.

A toxicidade não começa com gritos começa com silêncio

Os líderes mais tóxicos que encontrei não eram necessariamente agressivos. Eram silenciosos, ausentes, imprevisíveis e astutos.

O silêncio deles criava um clima de insegurança permanente, ninguém sabia se estava a fazer um bom trabalho, ninguém sabia o que vinha a seguir. Esse tipo de liderança corrói a confiança e transforma equipas em sobreviventes.

O que aprendi: A ausência de comunicação é uma forma de violência organizacional. Líderes saudáveis comunicam, alinham e dão contexto.

A toxicidade prospera onde não há clareza

Em várias cidades onde trabalhei, especialmente em ambientes extremamente exigentes, vi líderes que mantinham processos confusos de propósito. Quanto menos claro o sistema, mais poder eles tinham.

O que aprendi: Ambientes tóxicos não são acidentais são sistemas. E a melhor defesa é exigir clareza: funções, expectativas, métricas e responsabilidades.

A toxicidade alimenta-se da necessidade de aprovação

Durante muitos anos, eu acreditava que precisava de provar constantemente o meu valor. Líderes tóxicos adoram isso. Eles usam essa necessidade como forma de controlo.

O que aprendi: Quando dependemos da validação de alguém, entregamos o nosso poder. A nova geração precisa de construir identidade profissional sólida, independente da opinião de um “Chefe”.

 

A toxicidade não destrói apenas carreiras, destrói a nossa saúde mental

Por todas as cidades em que trabalhei em Angola e nos Estados Unidos da America, vi colegas brilhantes adoecerem e a ter problemas de saúde mental como ansiedade, insónia, depressão, burnout. A toxicidade não é apenas um problema de gestão, é um problema de saúde pública.

O que aprendi: Nenhum salário compensa a perda de saúde mental. A nova geração precisa de aprender a reconhecer sinais precoces:

  • Medo constante de errar
  • Sensação de estar sempre “em dívida”
  • Falta de energia crónica
  • Perda de confiança nas próprias capacidades

A toxicidade ensina-nos a liderar melhor se estivermos atentos

Os líderes tóxicos que encontrei ensinaram-me, paradoxalmente, a ser um líder mais humano. Aprendi a importância de:

  • Dar feedback com respeito
  • Criar segurança psicológica
  • Celebrar pequenas vitórias
  • Proteger a equipa em momentos de pressão
  • Ser previsível, coerente e íntegro

A toxicidade mostra-nos o que nunca devemos ser.

O conselho que deixo à nova geração

Depois de três décadas, se pudesse resumir tudo o que aprendi, diria isto:

Não deixem que um líder tóxico defina quem vocês são. Definam vocês o vosso padrão de liderança e mantenham-no, mesmo quando o ambiente tenta puxar-vos para baixo.

A toxicidade é real, mas não é inevitável. E a nova geração tem uma vantagem que nós não tivemos: informação, consciência e coragem para exigir ambientes saudáveis.

Sempre que estiverem diante de um líder tóxico, façam esta reflexão:

O que este ambiente está a tentar ensinar-me sobre o tipo de líder que eu quero ser?

Se conseguirem transformar dor em consciência, e consciência em prática, então nenhum líder tóxico terá poder sobre o vosso futuro.











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