Vivemos em uma sociedade que frequentemente nos ensina a buscar a perfeição. Queremos fazer o melhor trabalho, tomar as melhores decisões, alcançar os melhores resultados e, muitas vezes, esperamos o momento ideal para começar. O problema é que esse momento perfeito quase nunca chega. Enquanto esperamos, oportunidades passam, projetos permanecem apenas no papel e sonhos são adiados. É nesse contexto que a frase “feito é melhor que perfeito” ganha um significado profundo.
Buscar a excelência é algo positivo. Ter cuidado com aquilo que fazemos, aprender, melhorar e procurar entregar o nosso melhor são atitudes importantes. Entretanto, existe uma diferença entre buscar a excelência e ficar preso à perfeição. A primeira nos impulsiona; a segunda pode nos paralisar.
Muitas vezes, o medo de errar faz com que não demos o primeiro passo. Pensamos: “Ainda não estou preparado”, “Não está bom o suficiente” ou “Vou começar quando tiver mais tempo”. Dessa forma, transformamos a busca pela perfeição em uma desculpa para não agir. Esquecemos que ninguém começa sabendo tudo e que a experiência nasce justamente da prática.
Fazer algo, mesmo que não esteja perfeito, permite aprender. Um primeiro projeto pode apresentar falhas, mas essas falhas mostram o que precisa ser aprimorado. Uma primeira tentativa pode não produzir o resultado esperado, mas oferece conhecimento para a próxima. Quem age tem a oportunidade de corrigir, evoluir e tentar novamente. Quem espera pela perfeição permanece no mesmo lugar.
Isso não significa aceitar a mediocridade ou fazer as coisas de qualquer maneira. “Feito é melhor que perfeito” não é um convite ao descuido. É um lembrete de que a evolução acontece durante o caminho. Em muitas situações, é mais importante começar, concluir e aprender do que permanecer eternamente ajustando detalhes que talvez nem sejam essenciais.
A própria vida é feita de tentativas. Ninguém sabe exatamente como será o futuro, quais escolhas serão melhores ou quais caminhos darão certo. Ainda assim, precisamos caminhar. Às vezes, descobrimos o que realmente queremos somente depois de experimentar aquilo que inicialmente parecia incerto.
Talvez uma das maiores libertações seja compreender que não precisamos ser perfeitos para começar. Podemos começar inseguros, aprender enquanto fazemos e melhorar ao longo do processo. O importante é não permitir que o medo de errar seja maior do que a vontade de crescer.
No fim, aquilo que foi feito pode ser aperfeiçoado. Aquilo que nunca foi iniciado, porém, continuará a ser apenas uma possibilidade.
Por isso, “feito é melhor que perfeito” é mais do que uma frase motivacional: é uma mudança de perspectiva. É escolher o movimento em vez da paralisia, a aprendizagem em vez do medo e o progresso em vez da espera interminável pelo momento ideal.
Porque, muitas vezes, o primeiro passo imperfeito é justamente o começo de algo extraordinário.
Elizandra Santos
E-mail: geral@elizandrasantos.com







