É fácil admirar quem chegou lá. Olhamos para os resultados, para o reconhecimento, para a segurança de quem parece saber exatamente onde está a pisar. Vemos o sorriso, a conquista, a fotografia bonita. Mas quase nunca vemos o caminho que trouxe aquela pessoa até ali.
Ninguém vê o que acontece na subida.
Ninguém vê as noites em que foi preciso continuar mesmo sem ter certeza de que valeria a pena. As dúvidas que apareceram no silêncio. Os planos que deram errado. As portas que se fecharam. Os momentos em que desistir parecia muito mais confortável do que insistir.
A subida não costuma ser bonita.
Ela é feita de passos pequenos, de recomeços, de erros e de escolhas que muitas vezes ninguém aplaude. É quando precisamos trabalhar sem reconhecimento, aprender sem garantia de sucesso e acreditar em algo que ainda não conseguimos enxergar.
E talvez essa seja a parte mais difícil: durante a subida, não existe a perspectiva do topo.
Você olha para cima e ainda parece longe. Olha para trás e percebe o quanto já caminhou. Entre uma coisa e outra, existe apenas o próximo passo.
Por isso, não se compare com quem está no topo enquanto você ainda está a subir.
Você não conhece o caminho que aquela pessoa percorreu. Não sabe quantas vezes ela caiu, quantas vezes pensou em voltar, quantas perdas enfrentou ou quanto tempo levou para chegar onde está.
E, principalmente, não permita que a sua própria subida faça você acreditar que está a fracassar.
Talvez você esteja exatamente onde precisa estar.
Nem todo progresso é visível. Às vezes, crescer significa simplesmente não desistir. Às vezes, avançar é ter coragem para tentar novamente. E, em alguns dias, vencer significa apenas continuar.
O topo não conta toda a história.
A vista é linda, sim. Mas existe uma beleza silenciosa em olhar para trás e perceber que você conseguiu subir cada trecho que um dia parecia impossível.
Então continue.
Mesmo devagar. Mesmo com medo. Mesmo sem aplausos.
Porque um dia você vai chegar lá.
E quando olhar para a vista, talvez perceba que a maior transformação não aconteceu no topo.
Aconteceu durante a subida.
Elizandra Santos
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