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ESTÁS A VIVER OU APENAS A EXISTIR?

Ninguém sai de casa com o objetivo de que algo de mau lhe aconteça. Todos saímos com planos, sonhos, compromissos e a esperança de regressar. No entanto, a vida tem uma característica que, por vezes, nos esquecemos de reconhecer: a imprevisibilidade. Há acidentes que podem ser evitados e outros que fogem completamente ao nosso controlo.

 

A recente tragédia ferroviária em Espanha, que deixou dezenas de mortos e vários feridos, é mais um lembrete doloroso de como tudo pode mudar num instante. Segundo as informações divulgadas, uma falha no sistema de segurança ferroviária, associada a possíveis erros humanos, poderá ter estado na origem da colisão.

 

Não escrevo estas palavras com o objetivo de encontrar culpados ou apontar dedos. Somos humanos, somos falhos e estamos sujeitos a cometer erros. A verdade é que, em determinadas circunstâncias, um erro pode ter consequências irreversíveis. E aquele erro poderia ter sido cometido por mim, por ti ou por qualquer outra pessoa.

 

Mas, para além de procurarmos compreender o que aconteceu, há uma reflexão que esta tragédia nos deve deixar: temos vivido verdadeiramente ou estamos apenas a existir?

 

Quantas vezes adiamos um abraço, uma conversa, um pedido de desculpas ou uma demonstração de amor porque acreditamos que haverá sempre outra oportunidade? Quantas vezes deixamos para amanhã aquilo que poderíamos fazer hoje? Quantas vezes nos perdemos em preocupações, conflitos, orgulho e ambições, esquecendo-nos de que o simples facto de estarmos vivos já é, por si só, uma dádiva?

 

Aquelas pessoas que partiram também tinham planos. Algumas talvez estivessem a pensar no que fariam quando chegassem ao destino. Outras poderiam estar ansiosas por reencontrar alguém, regressar a casa ou começar uma nova etapa das suas vidas. Tinham sonhos, famílias, histórias e pessoas que as esperavam.

 

E, de repente, tudo mudou.

 

Poderia ter sido eu. Poderias ter sido tu. Poderia ter sido alguém que amas. Mas não fomos nós. E, perante esta realidade, talvez a pergunta não deva ser apenas “Por que razão isto aconteceu?”, mas também: “O que estou a fazer com a oportunidade de continuar aqui?”

 

Não te digo isto para que vivas com medo da morte, nem para que passes os teus dias a pensar que tudo pode acabar a qualquer momento. Digo-te para que tenhas consciência de que a vida não nos oferece garantias. Não sabemos quantos dias temos pela frente, nem podemos controlar tudo o que nos acontece. Mas, enquanto cá estivermos, podemos escolher a forma como vivemos.

 

Ama mais. Perdoa, quando for possível. Valoriza quem caminha contigo. Diz o que sentes. Abraça quem amas. Cuida de ti. Corre atrás dos teus sonhos, celebra as pequenas conquistas e aprende a reconhecer a beleza dos dias comuns.

 

Não precisas de fazer algo extraordinário todos os dias para que a tua vida tenha significado. Às vezes, viver verdadeiramente é simplesmente ter saúde para acordar, partilhar uma refeição com quem amamos, ouvir uma gargalhada familiar, receber uma mensagem de alguém especial ou ter mais uma oportunidade para corrigir os nossos erros.

 

A morte é uma certeza que todos partilhamos, embora ninguém saiba quando ela chegará. Por isso, não permitas que a correria dos dias te faça esquecer aquilo que realmente importa.

 

Entre o dia em que nascemos e o dia em que partimos, existe um intervalo chamado vida. A questão é: o que estamos a fazer com esse intervalo?

 

Tens feito valer cada instante ou estás apenas a deixar os dias passar? Tens amado, sonhado e construído memórias ou estás tão ocupado a sobreviver que te esqueceste de viver?

 

Não esperes por uma tragédia para reconhecer o valor de um dia. Não esperes pela ausência para compreender a importância de uma presença. Não esperes perder alguém para perceber o privilégio que era tê-lo por perto.

 

Aproveitar a vida não significa viver sem responsabilidades, ignorar os problemas ou agir como se o amanhã não existisse. Significa compreender que o amanhã não está garantido e que o presente também merece ser vivido.

 

Às famílias que perderam os seus entes queridos nesta tragédia, deixo os meus mais sinceros sentimentos. Que encontrem força e amparo para enfrentar uma dor que nenhuma palavra consegue apagar. Que a memória de quem partiu seja honrada com amor, respeito e humanidade.

 

E que esta tragédia não seja apenas mais uma notícia que lemos hoje e esquecemos amanhã. Que nos faça parar por alguns instantes, olhar para a nossa vida e repensar as nossas prioridades.

 

Porque, no final, não se trata apenas de quantos anos vivemos, mas também de quanto amor partilhámos, quantas vidas tocámos e de que forma aproveitámos o tempo que nos foi dado.

 

A vida não nos promete o amanhã. Por isso, enquanto houver hoje, que saibamos vivê-lo com propósito, amar com verdade e agradecer pelo privilégio de estarmos vivos.

 

E tu, responde com sinceridade: estás a viver ou apenas a existir?

 

Com carinho,

 

Elizandra Santos

E-mail: geral@elizandrasantos.com

Instagram

@ellizandra_santoos

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