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Quando o esforço é unilateral: uma reflexão sobre escolha, valor e reciprocidade

Existe uma pergunta silenciosa que muitas pessoas evitam encarar, mesmo quando ela já grita dentro delas:

por que continuo a tentar conquistar alguém que não demonstra o mesmo interesse em me conquistar?

 

À primeira vista, pode parecer apenas insistência, esperança ou até romantização da persistência. Afinal, crescemos a ouvir que “quem quer, luta” ou que “o amor exige esforço”. Mas existe uma linha muito clara e muitas vezes ignorada,  entre construir algo com alguém e tentar, sozinho, sustentar uma conexão que não se apoia em reciprocidade.

 

Quando o esforço é unilateral, o que está em jogo raramente é apenas o outro.

É sobre o que projetamos nele.

 

Muitas vezes, aquela pessoa representa mais do que ela realmente é. Ela se torna símbolo de validação, de aceitação, de conquista emocional. Como se, ao finalmente sermos escolhidos por ela, algo dentro de nós fosse finalmente resolvido. Como se o “sim” dela pudesse preencher um espaço que, na verdade, não deveria depender de ninguém além de nós mesmos.

 

E é aí que mora o risco.

 

Na tentativa constante de ser visto, aprovado e desejado, começamos a nos adaptar demais. Ajustamos o jeito de falar, de agir, de nos posicionar. Diminuímos partes de nós que poderiam “assustar” ou “afastar”. E, sem perceber, entramos em um processo silencioso de autonegação.

 

O problema é que, ao final, mesmo que o outro eventualmente se aproxime, a pergunta permanece:

ele está a se conectar com quem você realmente é… ou com a versão que você construiu para ser aceito?

 

Relacionamentos saudáveis não nascem da insistência solitária. Eles se constroem no encontro. Na troca. Na disposição mútua de se aproximar, conhecer, investir. Não significa perfeição, nem ausência de falhas, mas existe um elemento essencial: reciprocidade.

 

Quando alguém quer estar com você, isso se traduz em atitudes. Em presença. Em interesse genuíno. Não exige que você decifre sinais confusos ou viva sustentando expectativas frágeis. Existe clareza, mesmo que simples.

 

Insistir onde não há movimento do outro pode até parecer coragem, mas muitas vezes é apenas dificuldade de se retirar. Porque sair implica encarar uma verdade desconfortável: aquela pessoa não escolheu você da forma que você esperava.

 

E aceitar isso exige maturidade emocional.

 

Mais do que isso, exige um reposicionamento interno:

parar de tentar ser escolhido… e começar a escolher.

 

Escolher o que você aceita.

Escolher como deseja ser tratado.

Escolher não permanecer onde você precisa implorar por atenção, presença ou afeto.

 

Existe uma diferença profunda entre gostar de alguém e se abandonar por alguém.

 

Talvez a grande virada não esteja em fazer o outro enxergar o seu valor, mas em parar de oferecê-lo a quem não demonstra capacidade ou interesse em reconhecê-lo.

 

Porque, no fim, o amor que você busca no outro não pode custar o abandono de si mesma.

 

E quem realmente estiver disposto a caminhar com você… não vai precisar ser convencido disso.

 

Elizandra Santos Executive Coach e Psicanalista

 @ellizandra_santoos

WhatsApp: +244 923 86 54 22

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