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A culpa não é de quem te usa. É de quem continua a permitir.

É duro de ouvir, mas é uma verdade que pode mudar a tua vida: as pessoas que se aproveitam da tua bondade não são as únicas responsáveis pelo que acontece. Quem lhes dá acesso, repetidamente, és tu.

 

Isso não significa que quem manipula ou explora os outros esteja certo. Significa apenas que, quando não colocas limites, acabas por ensinar aos outros como podem tratar-te.

 

O mais preocupante é que muitas pessoas permanecem nessa posição durante anos por causa dos chamados ganhos secundários.

 

O que são ganhos secundários?

 

São benefícios inconscientes que recebes ao permanecer no papel de vítima.

 

Talvez estejas a pensar: “Mas que benefício existe em sofrer?”

 

Mais do que imaginas.

 

Quando assumes constantemente o papel de quem foi enganado, usado ou desrespeitado, recebes atenção, compaixão e validação. As pessoas aproximam-se para te consolar, ouvir a tua história e dizer que tens razão.

 

O problema é que isso pode tornar-se um vício emocional.

 

Cada vez que repetes a narrativa da tua dor, alimentas uma identidade baseada no sofrimento. É como se o cérebro começasse a procurar, inconscientemente, novas situações que confirmem essa história.

 

Quanto mais te identificas como vítima, mais atrais relações e circunstâncias que reforçam esse papel.

 

O vitimismo não resolve. Apenas prolonga o sofrimento.

 

Contar a tua história pode ser importante para reconhecer a dor e iniciar um processo de cura. Mas viver preso a essa história é outra coisa.

 

O vitimismo não muda a tua realidade.

 

Não fortalece.

 

Não liberta.

 

Pelo contrário, mantém-te emocionalmente dependente da validação dos outros e impede-te de assumir o controlo da tua própria vida.

 

Enquanto a culpa for sempre do outro, o teu poder continua nas mãos dele.

 

As pessoas respondem ao posicionamento que transmites.

 

A forma como os outros te tratam é influenciada pelos limites que estabeleces, pelo respeito que demonstras por ti próprio e pela maneira como comunicas o teu valor.

 

Quando aceitas tudo em silêncio, quando dizes sempre “sim” para agradar ou quando toleras desrespeito repetidamente, estás a enviar uma mensagem: “Isto é aceitável.”

 

E muitas pessoas agirão de acordo com essa mensagem.

 

Se não gostas dos resultados, muda o posicionamento.

 

A vida muda quando assumes responsabilidade pela tua parte da história.

 

Não podes controlar as escolhas dos outros, mas podes decidir quem tem acesso à tua vida, o que aceitas e o que deixas de tolerar.

 

A pergunta é simples:

 

Vais continuar a alimentar histórias que reforçam o papel de vítima ou vais assumir a responsabilidade de sair do lugar onde te encontras?

 

A mudança começa quando deixas de esperar que os outros mudem e decides mudar a forma como te posicionas perante a vida.

 

Porque, no final, ninguém pode fazer por ti aquilo que só tu tens o poder de decidir.

 

Elizandra Santos

E-mail: geral@elizandrasantos.com

Instagram

@ellizandra_santoos

 

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