O adversário vai para o saque, lança a bola para o alto, projeta o corpo e empunha firmemente a raquete.
Do outro lado, em posição de expectativa e concentração, com o olhar fixo na bolinha livre no espaço, nada abala a certeza de que haverá uma bela devolução. Tudo parece "controlado". Então...
A força do adversário e o exato toque da raquete na bolinha provocam uma explosão e...
ACE.
Não foi possível qualquer movimento para alcançar a bola. Um projétil, angulado, fora de qualquer possibilidade de reação.
O jogo continua...
Troca de bolas em um rally vibrante. A bola é disparada para o fundo da quadra, no lado esquerdo do adversário. Taticamente preparado, o jogador avança em direção à rede, convicto de que todos os ângulos possíveis estão fechados para o oponente. De repente...
Um golpe de backhand na paralela, preciso. A bola passa por um espaço inexistente aos olhos do atleta. Nada a fazer, apenas absorver a desvantagem de mais um ponto.
Assim acontece durante toda a partida de tênis: exemplos em que a prepotência, a vaidade e, principalmente, o orgulho não têm lugar.
O jogo continua, independentemente de como o atleta reagiu ao ser vencido. Não adianta remoer, irritar-se ou se autodestruir.
O orgulho, entendido como uma necessidade primitiva e humana de ser reconhecido, aprovado e amado pelo outro por meio da vitória e da conquista, não cabe agora.
O que resta ao derrotado são duas virtudes, entre tantas outras: a ACEITAÇÃO e a HUMILDADE.
Não há outro caminho senão a aceitação do êxito do outro e a humildade de reconhecer sua competência.
A escolha é singular e intransferível. Somente cada um pode decidir como continuará, superará o momento e seguirá sua jornada.
Metaforicamente, na vida também é assim. Muitas vezes, por mais que se entregue o melhor de si, naquele momento isso não será suficiente para superar o melhor do outro.
Sentir-se humilhado é consequência de dar validade ao orgulho, de não reconhecer, respeitar e aprender com o vencedor.
Entender e desenvolver autoconsciência nesse cenário pode ajudar na busca pelo equilíbrio emocional e na escolha das atitudes, dos gestos e das palavras que serão manifestados.
Assim como na vida, o jogo de tênis demonstra que é necessário abandonar os sentimentos que não fazem bem, deixar para trás aquilo que provoca sofrimento e aceitar o golpe que não era o esperado, mas que, naquele momento, nos superou.
Anderson do Prado
@pinducaprado
Psicanálise e Esporte







