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Cultura, Pessoas e Segurança: O Novo Paradigma da Prevenção nas Organizações

Ao longo dos anos, tem-se observado uma crescente evolução na segurança ocupacional.

Com este avanço, torna-se cada vez mais evidente que é crucial unir a agenda de gestão de segurança tradicional aos riscos psicossociais. Esta integração é de extrema importância para a criação de ambientes de trabalho que sejam, simultaneamente, seguros, saudáveis e resilientes.





O ambiente corporativo reflete as transformações da sociedade. Anteriormente era quase impossível imaginar que algum dia fosse possível trabalhar de forma eficiente e entregar resultados a partir de casa, entretanto,  a pandemia provou que somos seres humanos altamente adaptáveis, rompendo com o antigo paradigma. No entanto, mesmo após a consolidação deste cenário, ainda persistem discussões e resistências por parte de alguns sectores de Recursos Humanos e da alta direcção sobre a prevalência e a eficácia dos modelos flexíveis de trabalho.

 

O Factor Humano e o Papel da Liderança Ética

O facto incontestável é que as empresas precisam de pessoas. Elas constituem o elemento fundamental para que haja sucesso nas organizações, permitindo o alcance de metas e objetivos. Contudo, à medida que avançamos como sociedade, por vezes parecemos regredir na nossa dimensão humana. Ainda existem, em determinadas organizações, líderes que se posicionam de forma autocrática, agindo como verdadeiros "senhores donos de escravos”, impondo as suas vontades e negligenciando o cuidado com as pessoas.

Valores e princípios organizacionais não são, e nem devem ser encarados como, apenas um papel escrito e assinado, precisam de ser vividos diariamente e reflectidos em cada tomada de decisão. Acções como a retirada de benefícios aos colaboradores em prol do corte de custos a curto prazo geram o efeito inverso: deterioram o clima organizacional e aumentam drasticamente os riscos psicossociais no ambiente de trabalho.Integridade e gestão de riscos psicossociais não são agendas separadas. Juntas, formam a base para ambientes de trabalho éticos, saudáveis e resilientes.

Estratégias de Gestão de Riscos e Escuta Ativa

Para reverter cenários de vulnerabilidade, as empresas devem praticar a escuta ativa. Uma das formas mais eficazes para isso é a implementação de um Diagnóstico de Cultura de Segurança. Através deste levantamento interno, os colaboradores podem fornecer informações cruciais sobre a interação entre equipas, avaliar processos e demonstrar como de facto interagem com os elementos do sistema de gestão.

Esta prática capacita a organização a identificar, de forma rápida e precisa, as ameaças potenciais aos negócios, permitindo a priorização de acções preventivas.

Para enriquecer a capacidade dos gestores de antecipar ameaças, a organização deve aproveitar metodicamente todos os dados gerados pelos seus sistemas internos. Programas de observação e abordagem comportamental, aprendizagens obtidas com acidentes de trabalho, indicadores proativos e reactivos, além de visitas técnicas e benchmarks, são combustíveis essenciais para esta análise.

A Prevenção Começa pela Cultura

O Diagnóstico de Cultura de Segurança é umaparte norteadora da estratégia de prevenção de ameaças. Esta prática potencializa de forma exponencial os subsistemas de prevenção e de aprendizagem contínua. Ao adoptar um método específico de diagnóstico, a organização consegue compreender com exatidão quais os fatores da sua cultura e da sua liderança estão a influenciar directamente a sua performance em saúde e segurança. Mitigar riscos psicossociais e ouvir as pessoas não são mais ações secundárias, mas sim os pilares de sustentabilidade, produtividade e sucesso de qualquer instituição moderna.

 

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