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Ngongongo apresenta Correntes da Utopia na Casa de Angola na Bahia

A literatura angolana voltou a ocupar lugar de destaque no cenário cultural afro-atlântico com a apresentação do livro Correntes da Utopia, do escritor e activista cultural angolano António Baptista, conhecido no meio literário pelo pseudónimo Ngongongo. O evento decorreu nesta quarta-feira, 14 de Maio, na Casa de Angola na Bahia, em Salvador, reunindo membros da comunidade angolana, activistas culturais, académicos e apreciadores da literatura africana.

 

A obra foi apresentada como um manifesto poético de resistência, espiritualidade e consciência humana. Durante a cerimónia, destacou-se o carácter humanista do livro, no qual Ngongongo aborda o “interiorismo” como instrumento de reflexão e fortalecimento do espírito humano diante das adversidades sociais e existenciais. A narrativa poética procura despertar a sensibilidade colectiva para temas ligados à dignidade humana, à preservação cultural e à harmonia social.





O encontro também reforçou os laços históricos e culturais entre Luanda e Salvador, cidades marcadas por profundas conexões ancestrais construídas ao longo do Atlântico Negro. A dimensão simbólica da obra foi associada à herança africana presente na Bahia, especialmente através da musicalidade, oralidade e espiritualidade que aproximam Angola do Brasil.

 

Um dos momentos mais marcantes da sessão foi a contextualização da obra em língua Umbundo, iniciativa considerada um gesto de valorização das raízes linguísticas angolanas e da diversidade cultural africana no espaço lusófono. A escolha reafirmou o compromisso da instituição anfitriã com a preservação das identidades africanas e a promoção das línguas nacionais de Angola.





 

António Baptista, que também foi vice-presidente da Brigada Manguxi, participou de uma sessão de assinatura de autógrafos e aproveitou a ocasião para reafirmar o papel transformador da literatura. Segundo o autor, a poesia deve servir como “semente para a estabilidade ecológica e social”, defendendo que a escrita precisa nascer do coração e alcançar o mundo como instrumento de consciência, esperança e reconstrução humana.

 

A apresentação de Correntes da Utopia consolidou-se, assim, como um momento de celebração da literatura angolana contemporânea e da permanente ponte cultural entre África e América Latina, reafirmando Salvador como espaço de encontro das diásporas africanas e da valorização da memória coletiva negra.

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